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Abraham inspecionou o aposento com curiosidade. Parecia preparado para abrigar conferências de pequeno porte. Imaginava por quanto tempo Charlotte deixara a sala em desuso. O lugar parecia impecavelmente limpo – talvez uma ordem de última hora.

- Você precisa de ajuda? – Charlotte perguntara.

- Não – Abraham respondera. – Tudo sob controle. Só me avise quando a caravana da coragem chegar.

- Você quer dizer a equipe de especialistas caríssimos escolhida a dedo por você?

Mas Abraham apenas encarou a garota.

- Não tente ser engraçada – avisou.

Charlotte deixou-o a sós com um sorriso leve. Abraham estava sentado, observando com particular compenetração o teto, quando a garota retornou. Trazia Joshua Hall consigo. O rapaz vinha com o que parecia ser maquinaria pesada sob um dos braços. Não estava contente.

- Trouxe o que me pediu – Joshua resmungou.

- Obrigado – Abraham levantou-se. – Joshua, esta é Charlotte Hayes.

- Eu sei. Ela se apresentou – Joshua pousou o projetor que carregava sob uma mesa. Estendeu a mão para Charlotte. – Eu sou Joshua Hall. Muito prazer.

Charlotte aceitou o gesto.

- Queria dizer que é um prazer trabalhar para você – Joshua completou. – A oportunidade é magnífica.

- Joshua – disse Abraham. Conectava os fios do projetor distraidamente. – Não trabalha para ela. Trabalha para mim.

- Quem está pagando? – Joshua perguntou.

A questão pareceu pegar Abraham de surpresa.

- Charlotte – ele consentiu.

- Portanto...

- Apenas faça o que eu pedir.

- Para que precisa de mim? Além de para carregar coisas, é claro.

- Você vai mediar uma vídeo-conferência.

Abraham entregou um laptop fechado a Joshua.

- Seja cuidadoso com ele – Abraham avisou antes de soltar os dedos do Vaio. – É o meu brinquedo favorito.

- Está falando sério? – fez Joshua.

- É um pedido.

Joshua encarou com aparente dúvida o computador que tinha em mãos. Sentou-se com o Vaio sobre o colo.

- Belo modelo – disse.

- Obrigado – agradeceu Abraham.

- Quem vai estar do outro lado? – Charlotte perguntou.

- Martin. É o nosso lingüista. Mas infelizmente mora na França.

- Poderíamos todos ter ido para a França – Joshua murmurou enquanto ligava o notebook.

Charlotte deu um peteleco inofensivo sobre o projetor.

- Ele é velho. Eu poderia ter providenciado algo um pouco melhor – disse.

- Sou fiel aos que me servem bem.

Eric interrompeu a reunião ao abrir a porta repentinamente. Vistoriou brevemente os presentes antes de se focar em Charlotte. Estava insatisfeito.

- Tem mais alguém querendo ver você – ele informou.

Abriu passagem para Ricky – este parecia estranho dentro de um terno.

- Ricky, não era um encontro formal – Abraham sorriu levemente.

- Bem, que se dane, não é sempre que venho para Amagansett – Ricky parecia certo do próprio sucesso. – Charlotte, como está?

- Ricky – Charlotte abriu um sorriso um pouco maior antes de cumprimentá-lo com um abraço. – Faz tanto tempo.

- Não era a melhor das situações – Ricky comentou.

Mudou rapidamente de assunto:

- E aí, vamos ter comes e bebes? – esfregou as mãos num gesto genuinamente excitado. Seus olhos logo encontraram Joshua. – E quem é você?

- Joshua Hall – Abraham apresentou. – Ele vai tomar conta da parte tecnológica.

- Parece novo.

- Joshua ganhou alguns prêmios.

- Fazendo o quê? – perguntou Ricky.

- Um robô – Joshua explicou.

- Tá brincando? Como aqueles sexbots malucos? – Ricky alargou um sorriso. – Quanto custa um?

Joshua não soube como responder. Abraham deixou-os sozinhos para tratar do material que seria apresentado. Separava os papéis quando ouviu Charlotte aproximar-se. Ela não parecia querer abrir a boca inicialmente. Apenas apreciava o trabalho. Mas então foi obrigada a se pronunciar quando percebeu o olhar avaliador que Abraham decidira destinar-lhe.

- Sim? – ele perguntou.

- Você não gosta muito de conversar – ela afirmou. – Eu já percebi.

Abraham bufou uma risada discreta; voltou a separar as folhas.

- As pessoas me desconcertam.

- Parece que Laurence te colocou em uma posição infeliz.

- Eu não tenho do que reclamar.

Fez um breve silêncio.

- Seu pai era certamente muito mais carismático do que eu sou.

- Ele sabia lidar com multidões.

Mas Abraham encarou-a com curiosidade. Charlotte esclareceu:

- Você sabe. Nathaniel Hayes inaugurando uma biblioteca nova. Uma nova ala da faculdade. Uma nova ala do museu. As pessoas enlouquecendo e tirando fotos.

Abraham sorriu com o canto dos lábios.

- Eu não lhe contei – disse. – mas já conhecia você – admitiu.

Charlotte pareceu surpresa.

- Você era pequena – Abraham explicou. – Não deve se lembrar. Era uma palestra que seu pai estava dando. Eu achei que deveria conhecer o antigo pupilo do Laurence. Entrei sem ser convidado.

- Em Yale?

- Sim. Eu tinha dezenove anos. O que te daria...

- Catorze. Eu devia estar mortalmente entediada.

- Difícil dizer. Mas vou imaginar que sim.

- Como eu era?

- Loira.

Charlotte aceitou a verdade inegável.

- Você me viu – contou Abraham.

- Vi?

- Quando ia embora, você me disse oi. Passou por mim, ergueu a cabeça e me cumprimentou.

- É mesmo?

- Oi. Apenas oi.

Charlotte estreitou os olhos para melhor observar Abraham – como se quisesse retornar àquele momento, mais de dez anos atrás, e reconhecê-lo em meio à multidão que certamente lhe parecera soporífica na época. Nada disse. Abraham desencorajou a tentativa, desviando os olhos, focando-se no trabalho. Charlotte cruzou os braços. Apoiou-se à mesa.

- Então... acha que pode lidar com eles? – e indicou o grupo.

A visão de apenas Joshua e Ricky preenchendo os números necessários para uma expedição – Eric recostado à parede, nos fundos da sala – era quase deprimente.

- Sim. Eu posso liderar equipes.

- Contanto que todos te obedeçam.

- Contanto que todos me obedeçam.

Abraham arquivou o material em uma pasta de plástico.

- Mas estou curioso a respeito do membro surpresa que decidiu convocar – ele disse.

- Não é um membro surpresa. Taylor Christensen – Charlotte informou. – Ela costumava trabalhar para o meu pai. Foi um dos gênios agraciados com uma bolsa – e Charlotte deu um sorriso irônico. – Do falecido Instituto Hayes.

- Taylor Christensen? – Abraham ergueu as sobrancelhas.

- Você a conhece?

- Já ouvi falar. Você sabe o que ela faz, não sabe?

- Sei que ela é boa – o sorriso de Charlotte tornou-se levemente desafiador.

- Ser boa, Charlie – Abraham explicou com paciência. – não é o que basta.

- Eu sei. Eu não fui atrás dela por causa do que ela faz hoje em dia.

Abraham não insistiu.

- Vamos ver o que acontece até o fim da noite – decidiu.

Taylor Christensen apareceu com um atraso de meia-hora. Sua chegada não foi celebrada – não por Abraham.

- Eu sinto muito. Meu vôo atrasou – Taylor explicou.

Abraham trocou um olhar significativo com Charlotte.

- Que bom que podemos começar – ele disse.

Puxou uma cadeira para sentar-se diante dos demais.

- OK. Eu imagino que todos saibam por que estão aqui. Esta é Charlotte Hayes – Abraham indicou a garota com um gesto de mão. – Ela será a nossa patrocinadora. Vai fornecer tudo aquilo que será necessário. Alguma dúvida em relação a isso?

Não houve reações. Ele pigarreou.

- Eu sou Abraham Macfadyen. O responsável pela expedição. Eu conheço alguns de vocês. Não conheço muito bem os demais – vistoriou rapidamente o salão. Taylor era a única realmente desconhecida.

- Seremos só nós? – Joshua quis saber.

- Não – Abraham respondeu. – Teremos um geógrafo. Mas ainda estou trabalhando nessa parte.

Voltou os olhos – olhando por cima dos ombros – para o telão branco que descia de um rolo pregado ao topo da parede.

- Antes que vocês aceitem o trabalho – ele disse. – é importante que saibam com o que exatamente estão lidando. O que eu tenho aqui é o material concernente ao que Nathaniel Hayes estava buscando – o que nós fortuitamente vamos buscar também.

Abraham pressionou o botão único do controle do projetor. Um clique e uma imagem foi estampada sobre o telão. Era um mapa mundial.

- As áreas marcadas são áreas onde Nathaniel esteve ou onde pretendia estar. São áreas que possivelmente teremos de visitar também. Alguém está familiarizado a qualquer um desses lugares? – Abraham questionou com alguma ponta de esperança. A idéia de lidar com novatos era desgastante. – Alguém fora Ricky?

- Eu já estive – Taylor informou.

- Bom – Abraham aquiesceu. – Joshua. Está com Martin aí?

- Não.

- Vá procurá-lo. Skype.

Abraham acionou o botão uma vez mais. A próxima imagem revelou-se como um desenho em preto e branco antigo. Retratava uma coroa ricamente adornada. O desenhista parecia ter algum desvio nas mãos. Um dos lados da coroa era visivelmente torto.

- O suposto objeto que Nathaniel queria desenterrar. Uma coroa persa forjada para o rei Dário III. Não existe qualquer prova de que possa ter sido real, exceto por relatos esparsos que estudaremos... sim, Joshua?

- Estou com Martin em uma conferência.

- Ele pode nos ouvir?

- Obviamente – a voz entrecortada de Martin ergueu-se do notebook. – Abraham?

- Sim?

- Eu analisei o que você me mandou. Não há nada de estranho a respeito do material. E as páginas de texto estavam em persa antigo. Enviei a tradução a você.

- Obrigado.

- Com quem mais estou falando?

- Joshua Hall, como já deve saber. Ricky Morelli, Charlotte Hayes e Taylor...

- Christensen – Taylor prontamente informou.

- Sim – confirmou Abraham. – Somos a Get Along Gang.

Martin riu.

- Minha esposa está aqui – ele contou. – Espero que não se incomode com que ela veja o texto também.

- À vontade.

- Bom. Ela é melhor do que eu para certas coisas.

Abraham pressionou o botão do projetor uma terceira vez. O laranja de dunas de areia invadiu o telão.

- O deserto de Lut. Irã – Abraham informou. Não contou qual era a relevância do deserto – algo travou sua garganta antes que pudesse informar que havia sido ali o último lugar do qual Nathaniel Hayes realizara algum contato. – Um dos possíveis pontos de exploração.

- Um lugar horrível – Ricky murmurou.

- Então iremos para o Irã? – perguntou Joshua.

- É a idéia.

- Mas – Joshua hesitou. – Politicamente falando... a coisa não anda muito boa por lá. Não é?

- Se algum de vocês acha que quer desistir – Abraham ergueu a voz para todos. – agora é o momento. Nenhum dos lugares que teremos de visitar pode se comparar a férias em Saint-Tropez. E digo isso especialmente para você, Joshua – ele relanceou o rapaz. Mas foi Charlotte a pessoa que acabou encarando.

A garota apenas cruzou os braços – como se aquilo determinasse sua opinião. Joshua nada respondeu.

- Prosseguimos, então – disse Abraham.

As imagens seguintes eram todas referentes à geografia – o que Abraham explicou com paciência. Houve uma série de fotografias: pessoas e grupos que de alguma forma estiveram ligados à coroa ou escavações similares. Quando não havia mais nada que pudesse ser mostrado, um último clique do projetor devolveu a brancura ao telão.

- Comentários? – perguntou Abraham.

- Não há nenhuma prova de que a coroa exista – Taylor disse.

- Há evidências o bastante. O relato Dickinson, por exemplo. William H. Dickinson. Vocês acabaram de ver uma foto dele. O cara magro com chapéu engraçado.

- Só porque ele disse que teve a coroa em mãos não quer dizer que seja verdade – Taylor protestou. – Nós sabemos onde param esses relatos de “tive tal coisa em mãos, mas...”

- Dickinson era um historiador confiável para a época.

- Pode ser uma lenda.

- Sim – Abraham admitiu. – Pode ser.

Sua sinceridade pareceu calar a maioria. Houve uma pausa oportuna: a empregada de Charlotte surgiu para servir os convidados. Abraham ergueu-se da cadeira para desligar o projetor.

- Vamos para Lut? – ouviu Charlotte perguntar.

O rapaz olhou para trás. Charlotte parecia zangada – uma reação pela qual Abraham não esperava.

- Não vou levá-los para dentro. Mas é um lugar que eu preciso checar,

- Por quê?

- Porque infelizmente as coordenadas do seu pai apontam para lá.

- Não gosto da idéia.

- Nem eu. Mas, como já discutimos antes, seu pai tinha uma coisa por trabalhar sozinho. E o preço que se pagar por isso é que mais ninguém sabia o que se passava pela cabeça dele.

- Ei, Abraham? – Joshua chamou.

- O quê?

- Estou teclando com o Martin – Joshua não erguera os olhos do Vaio. – Ele quer saber o que deve fazer do material que um tal de Professor Singh mandou.

- Diga a ele que eu já tenho tudo.

Joshua escreveu conforme o pedido.

- Como eu dizia – Abraham voltou-se a Charlotte. – Só poderemos pensar realmente sobre o roteiro quando estivermos lá. Mas eu não vou sujeitar ninguém à temperatura do Lut.

- Ahn – a voz de Joshua interrompeu.

- Sim?

- “Não isto aqui,” foi o que Martin disse.

Olhou para Abraham como se esperasse por instruções.

- O que o Professor Singh mandou a ele que não entregou a mim? – Abraham perguntou.

- Cara, como é que eu vou saber? – Joshua deu de ombros.

- Peça para que Martin envie os arquivos.

A empregada aproximou-se inesperadamente do rapaz. Trazia uma bandeja de docinhos coloridos.

- Aceita um? – indagou.

Abraham encarou os docinhos. Macarrons. Ergueu um entre o polegar e o indicador, como se o doce pudesse atacá-lo. Observou Charlotte de esguelha.

- Você realmente planejou isso tudo, não? – perguntou.

- São sobras do casamento.

- Meu Deus – Abraham abocanhou o macarron de uma vez. – Quando as pessoas vão aprender a servir comida de verdade em casamentos?

- Eles foram realmente caros – Charlotte protestou.

- Sinto muito que esteja desperdiçando-os comigo.

- Pronto – Joshua alertou. – Arquivos baixados.

Foi também surpreendido pela criada. Encarou os macarrons com a mesma descrença de Abraham. Pareceu aceitar um por educação.

- Venha aqui – Abraham aproximou-se de Joshua e tomou o laptop de volta. Foi ligá-lo ao projetor. – Aparentemente há algo mais que devemos ver.

A sala aquietou com a partida dos doces e da bebida. Abraham acionou o projetor.

- Não prefere conferir primeiro o que tem aí? – Joshua perguntou.

Abraham olhou para trás com um sorriso sarcástico.

- Como o quê? Pornô?

Apertou o botão. A primeira imagem parecia distante do deserto de Lut. Mostrava árvores ricas e verdes se estendendo por um terreno irregular que não parecia ter fim. A foto havia sido tirada de uma clareira. Nada mais havia ali.

- Mas que merda?... – Abraham sussurrou para si mesmo. Acionou a imagem seguinte.

Um acampamento erguido às pressas. Havia apenas uma cabana suja. Parecia haver sido castigada recentemente pela chuva. Abraham identificava alguns utensílios de sobrevivência básicos. Um marco fora erigido diante da cabana.

As fotos seguintes pareciam repetir o padrão aleatório: eram paisagens, às vezes misturadas com cenas de um acampamento cotidiano – o tipo que poderia ter ocorrido no quintal de qualquer casa suburbana. Abraham precisou de alguns segundos para finalmente assimilar o que via. Ele agachou-se ao lado de Joshua.

- São as fotos pessoais do Nathaniel? – ele perguntou.

Joshua estranhou a pergunta.

- Eu não faço idéia – respondeu.

- Merda – Abraham amaldiçoou em voz baixa.

 Procurou discretamente por Charlotte. Ela encarava a imagem exibida com concentração. Tivesse ou não noção do que via, não demonstrava. Abraham teclou sua pergunta a Martin. A resposta foi positiva. Ele xingou uma vez mais.

- As imagens não têm nenhuma relevância – Abraham disse aos demais. Desligou o projetor. – Não eram o que eu achei que seriam.

- Poderia nos perguntar primeiro – Taylor interferiu. – Eu achei relevante.

- Não eram. Mas se faz tanta questão, pode ficar com uma cópia delas – Abraham disse. – Depois que eu tiver a chance de avaliá-las.

- Quem fez dele o chefe? – Taylor perguntou a Charlotte.

- Eu me fiz o chefe – Abraham respondeu.

- Bem. Aí está a resposta – confirmou Charlotte.

- Eu só gosto de ter certeza do que estou fazendo antes de aceitar alguma proposta – Taylor fuzilou Abraham.

- Vai ter tempo para pensar. Todos vocês terão.

- Até quando?

- Semana que vem. Espero todos no John F. Kennedy. Receberão as passagens.

Taylor arregalou os olhos.

- Não é tempo o bastante.

- É o tempo que eu tenho – Abraham deu um sorriso canalha.

- Pode contar comigo – disse Ricky. Ergueu-se e arrumou o paletó. – Eu já tinha aceitado de qualquer jeito. Não teria vindo da Flórida por nada.

Abraham dispensou-lhe um assentir pacífico.

- Obrigado, Morelli. E você, Christensen – encarou Taylor. – Pode enviar sua resposta a Charlotte. Caso decida vir conosco.

Quando a reunião parecia definitivamente acabada, Joshua deixou sua cadeira para ter com Abraham.

- O que foi aquilo? – quis saber.

- O quê?

- As imagens do projetor.

- Aquelas eram mesmo as fotos pessoais do Nathaniel.

- Bem. E daí?

- E daí que eu não vou correr o risco de subitamente ter o próprio Hayes aparecendo em uma imagem inédita para a filha desolada dele – Abraham disse entre os dentes.

- Ela parece poder agüentar. Ou não estaria fazendo tudo isso.

- Talvez. Mas não é necessário.

- Eu te disse para checar o conteúdo primeiro.

- Vou ver as fotos eu mesmo.

- Pode me mandar uma cópia, se quiser.

Mas o olhar hostil de Abraham foi o bastante para afastar Joshua.

 

 

- Bem. Acho que obtivemos algum sucesso – disse Charlotte.

Era madrugada quando abriu a garrafa de refrigerante. Deixou a tampinha rolar sobre o balcão da cozinha.

- Eu não sei – disse Eric. – Eu realmente não sei.

- Você não aprova o que eu estou fazendo. Não precisa me dizer.

- Não é tão simples.

- Você é um advogado de corpo e alma.

Passou a garrafa a Eric. Ele aceitou um gole rápido.

- Confia naquele Macfadyen? – perguntou.

Charlotte assumiu uma expressão um pouco mais séria.

- Sim – ela disse.

- Foi um sim com segurança?

- Sim, eu confio nele.

- Ele tem aquele quê ensandecido de historiador.

- Como o meu pai?

Eric encarou a garota hesitantemente.

- Não. Não foi o que eu quis dizer.

- Simplesmente não acho que Laurence me empurraria para dentro de um penhasco.

O olhar de Eric parecia dizer tudo.

- Mas você também acha que Laurence é maluco – Charlotte acusou-o com um sorriso gracioso.

- Bem. Não tenho mais nada a acrescentar.

Eric levantou-se do balcão.

- Pode ficar, se quiser – Charlotte convidou.

- É melhor não. Vou ter um dia cheio.

- Só não comece a rabiscar o meu testamento sem a minha permissão.

Eric olhou para trás com visível espanto no rosto. Charlotte baixou a garrafa antes que esta pudesse alcançar os lábios.

- É brincadeira, Eric – disse.

 

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