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Abraham não reconheceu Martin a princípio – não com a minúscula esposa ao acompanhá-lo. Franziu o cenho levemente quando viu o casal aproximar-se.

- É mesmo você – Martin disse. – Há quanto tempo.

Trocaram um aperto de mãos. Abraham voltou sua atenção à mulher japonesa.

- Minha esposa – apresentou Martin. – Akiyo.

- Tive a impressão de que você seria japonesa – Abraham sorriu com o canto dos lábios.

Akiyo retribuiu a apresentação com um cumprimento delicado e suave. Ela agüentava o calor noturno bravamente.

- Então aquela é a equipe? – Martin perguntou.

O restante do grupo vinha unir-se a eles com suas respectivas bagagens em mãos. O que não pudera ser carregados entre os dedos havia sido embarcado num automóvel fretado especialmente para comportar o material da expedição. Parte dele já havia sido entregue em Kerman – para onde seguiriam após Teerã.

- Sim, – Abraham disse. – Meus rebentos orgulhosos.

- Qual delas é a Srta. Hayes?

Abraham olhou para trás.

- Charlotte – chamou.

Charlotte virou-se para encará-lo. Reparou no casal Moreau e se aproximou.

- Martin e Akiyo Moreau – Abraham cumpriu as formalidades. – Nossos lingüistas.

- É um prazer – Charlotte estendeu uma mão.

- O prazer é todo nosso – Martin sorriu, aceitando o gesto.

Foi apresentado aos demais. Os recém-chegados pareciam atordoados pelas horas de vôo – exceto por Ricky, exultante como sempre.

- Bram – Ricky interrompeu. – Não é hora de fazer o comunicado? Você sabe... “o comunicado.”

Abraham não compreendeu imediatamente a questão. Foi lembrado ao perceber que permaneciam no aeroporto com três cabeças femininas descobertas.

- Usem lenços em público – ele alertou. – As pessoas não ligam para o seu tratamento rejuvenescedor de cabelos. Segundo: não é da conta de ninguém se vocês são americanos ou não. Se puderem mentir, melhor. Terceiro: evitem crianças. Evitem crianças que pedem dinheiro. Evitem crianças de qualquer natureza. E estejam sempre – ele frisou. – de olho nas suas coisas. Ricky tem uma história para contar.

- Quando eu era jovem e ingênuo, eu fui assaltado, esmurrado e cuspido no Irã – Ricky revelou. – Não é algo que vocês, moças, gostariam de experimentar. Eu garanto.

- Então não tentem ir a lugar nenhum sem um de nós – finalizou Abraham.

- Eu preciso de guarda-costas também? – Joshua exibiu um sorriso sarcástico.

- Não. Mas não olhe para nenhuma mulher mulçumana.

- Sério?

- Não, eu só gosto de ver a sua reação. É claro que falo sério.

Joshua deu de ombros.

- Não é como se houvesse algo para ser visto, de qualquer forma – disse.

- São como os kilts escoceses – explicou Ricky. – Não têm nada por baixo.

E Ricky encenou o ato de erguer e abaixar uma saia invisível, as pernas bastante espaçadas. Akiyo observou a cena com uma expressão levemente surpresa.

- É melhor irmos – Charlotte decidiu.

- Para onde quer nos enviar? – Abraham perguntou.

- Hotel Laleh – contou a garota. – Foi o melhor que eu consegui.

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